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Descobrimentos

Atualizado: 4 de jun.

Foto: Leonardo Augusto de O. Lopes


Quando se trilha uma mata nunca antes investida, o rastro das botinas pesadas junto aos golpes do maleado facão, fundarão outra rota mais acessível aos viajantes da posteridade. Durante este desbravamento, um mapa é criado. O percurso, geograficamente desenhado, alentará os olhos inseguros. E aos aventureiros, escolher outro caminho passará a ser demasiada ousadia, exigindo coragem ao viajante inseguro.


No entanto, a velha rota pode sofrer um impasse. De repente, um bloqueio torna o caminho mais arriscado. Àquele que busca pelo inusitado, escolher outra trilha, aparentemente adversa, poderá ser mais instigante ou excitante. Àquele que busca o habitual, poderá sofrer com a inesperada escolha. Mas, quem sabe, este não vivencie diversões inimagináveis?


Nessa analogia, podemos entender que o desamparo nem sempre é evitável. E este ressentimento geralmente provoca medo, ansiedade, angústia. O conflito psíquico (i)mobiliza o sujeito a enfrentar as suas “limitações”. O velho caminho conhecido, ou, o novo caminho a ser descoberto?  


Certas mudanças são capazes de assolar as nossas vidas, mas ao mesmo tempo se tornam necessárias para evoluirmos. Seja de um momento tempestuoso para outro mais sereno, ou, da calmaria para a agitação. No fundo, quem busca harmonia e equilíbrio enfrenta com olhos argutos a instável segurança de si.


O desconhecido é o combustível da dúvida e muitas vezes o aqueduto que drena ao medo. Mas o risco também é inerente, contingente, a qualquer espécie.


Tocamos no complexo jogo das escolhas. Mudar é escolher outros aquedutos na crença de um sofrimento menor. Mudar a forma de lidar com os nossos desejos. Nos afetos que negamos sentir, seja em amar e/ou odiar. Mudar de objetivos para a vida. Desconstruir e/ou (re)construir novos sonhos. Desiludir, mas aprimorar a visão de mundo.


Realmente não é simples mudar. Consiste exatamente em contestar ou reafirmar quem somos, ou quem julgamos ser. Nossas teses: teológica, biológica, psicológica... Há muita lógica nesta teia, por vezes, uma cadeia alienante.


Seja como for, mudar exige um árduo exercício. E talvez a insegurança seja só uma das faces da negligência perante a responsabilidade de cada escolha. A negação e a resistência, inconscientemente, pode ser funcional para se manter ileso ou inerte. Eis o complexo matagal a ser transpassado.


A densa mata que ressurge com seus arvoredos, raízes e cipós a "impedir" o percurso idealizado, pois os espinhos ferem a pele; os insetos incomodam, desconcentram e adoecem o andarilho.


Buscamos por verdades? Nossa sede, nossa necessidade, deleita-se ao encontrar “Verdades”. Existirão mesmo? Precisamos disso? Precisamos... Talvez, no cerne da busca, descobriremos que tudo não passou de ilusão.


Somos joguetes e jogadores, imperfeitos e perfeccionistas. Somos a verdade da verdade, mas corremos atrás de nós mesmos.


Almejamos consolo aos temores da alma. Precisamos desvendá-la, repaginá-la, rearranjá-la, transformá-la.


A trilha permanecerá. Viajantes celebrarão os infortúnios, muitos outros lamentarão o caminho. O destino idealizado estará sempre em nossos corações. Criar outros mapas pode ser a melhor aventura de uma vida, ou, a grande ruína de uma empreitada.


Seja como for, descobrir-se na jornada é uma arte e uma luta que não precisa ser solitária. Fica a dica.


Autor do texto: Leonardo Augusto de Oliveira Lopes

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